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Artigo publicado em 30/07/2012

Sintomas De Deficiência De Cálcio Em Bananeira E Como Corrigir

Aprenda mais sobre as funções e os sintomas de deficiência do cálcio e como solucionar sua carência!
Sintomas De Deficiência De Cálcio Em Bananeira E Como Corrigir

O cálcio (Ca) é um elemento essencial para todas as plantas e animais, inclusive o homem. Na bananeira esse nutriente interfere nas qualidades palatáveis das bananas. Estimula o crescimento das raízes e radicelas e das gemas apical e lateral. Ele participa da estrutura das células, como se fosse um cimento de um muro, e por isso, quando é mobilizado para outra parte da planta provoca grandes e acentuadas necroses (morte do tecido).

O cálcio participa junto com o Mg na formação da membrana celular, que controla a entrada e a saída de outros nutrientes na célula. Participa das reações com hormônios vegetais e ativações enzimáticas. Produz juntamente com o K e o Mg, ação antitóxica contra certos ácidos orgânicos considerados inibidores do metabolismo da bananeira. Atua na assimilação do nitrato, que formará as proteínas e outros compostos nitrgenados. Atua na fixação do K nas folhas e tem ação na absorção de outros nutrientes.

Para a bananeira ter suas funções fisiológicas normais é preciso haver nas folhas equilíbrio entre o Ca, o Mg e o K, devendo esta relação estar próximo de 1:4:16.

O Ca se transloca parcialmente das folhas mais velhas para as mais novas, o que não é comum em outras plantas. Isto acontece na bananeira por ela ter o floema difuso nas bainhas (que forma o pseudocaule). O Ca se acumula nas folhas até ao florescimento e depois se transfere para o cacho.

Quando aplicado no solo, corrige sua acidez, provocando o deslocamento do hidrogênio (acidez) que está agregado à partícula de argila. Solos com pH próximos de 7 ajudam os microrganismos aí existentes a transformar os restos de culturas em M.O. Esta, por sua vez, possibilita a uma melhor assimilação de nutrientes e a retenção de água nesse solo.

Efeitos da deficiência de Ca

A demanda por Ca aumenta com a idade da planta. Na deficiência as folhas ficam menores e morrem precocemente. A banana é leve e quando a deficiência é severa sua casca racha no seu comprimento, e a polpa fica sem sabor. A casca da banana madura apresenta maior porcentagem de Ca, do que a encontrada na planta e ou na polpa. A planta é mais baixa e tem poucos “filhos”.

Os ciclos vegetativo e de produção são alongados devido ao lento crescimento da planta. Os pontos de crescimento, principalmente os das raízes, têm morte bastante precoce, o que reduz o tamanho de seu sistema radicular, reduzindo também a penetração das raízes no solo, ocasionando menor absorção de água e nutrientes, sendo esse fato mais agravado e observado nos períodos de estiagem.

Nos solos onde se faz adubações com altos teores de N, provoca-se uma perda do Ca. A absorção do Ca pelas raízes é dificultada pela presença de alumínio e manganês solúveis. Nos períodos de muita chuva e calor, o Ca é bastante lixiviado, o que pode provocar carências na planta.

Quando o solo contém a relação Ca : (K + Ca + Mg) = 0,7 é um ótimo equilíbrio e deve-se ter o maior rendimento de produção. Consideram-se como limites válidos para esta relação os índices de 0,4 a 1,0.

Sintomas da deficiência de Ca

Fotos (clique) 

O primeiro sintoma aparece na folha jovem, que se apresenta com o primeiro terço das nervuras secundárias intumescidas. Na carência de B e S isto também acontece, mas com estes nutrientes o intumescimento é em toda a extensão. A folha apresenta-se com um verde opaco.

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Figura 1: Observa-se a má formação do limbo foliar da folha jovem, como se tivesse sido comida por insetos

Na falta de Ca, a roseta fica fortemente comprimida, dando a impressão que as folhas, com pecíolo muito curto, foram espetadas nela. Aumentando a deficiência começam aparecer na vela ou no cartucho áreas com tecido brancacento muito fino que se queimam facilmente com o sol.

As folhas se desenvolvem com aspecto coriáceo, sem brilho e ásperas ao tato, tendo suas pontas terminadas como se tivessem sido guilhotinadas, lembrando um pouco a deficiência de B. Começam aparecer, a partir da folha III, ondulações, que se acentuam com o aumento da carência. O aumento da carência faz aparecer na ponta da folha I um desverdecimento marginal, descontinuo, tipo dente de serra voltado para a nervura principal.

Durante os períodos de muita chuva, nas plantas adultas, podem aparecer folhas com o limbo incompleto, cujo contorno lembra a falta de S ou B, porém a coloração da folha é verde opaca, o que é típico da deficiência de Ca. Quando a carência atinge essa condição, podem aparecer sintomas de deficiência oculta de S, que está bloqueando a absorção do Ca. Essa deficiência é identificada pelo estreitamento ou desaparecimento alternado da faixa entre as nervuras secundárias, aparece juntamente com as manchas grandes circulares típicas da falta do Ca.

Quando há falta d’água no solo ou forte adubação com K, a deficiência de Ca sempre aparece. As bananas são magras com casca opaca, sem cera, frequentemente se racham e têm maturação irregular.

Sintomas quando em excesso

É pouco frequente, porém quando isto ocorre, a polpa fica mais amarela e provoca deficiências de K, Mg e de micronutrientes. O excesso é corrigido com aplicações de S.

A bananeira é uma das plantas que retira maior quantidade de potássio do solo. Entretanto, para se aplicar elevadas quantidades de potássio no solo, é preciso que os teores de cálcio e magnésio também estejam em níveis elevados. Um desequilíbrio entre estes três nutrientes pode ocasionar a moléstia fisiológica, conhecida por “azul-da-bananeira”.

Adubação calcítica

O Ca é absorvido como cátion Ca+2. Normalmente não se faz adubação com Ca em bananeiras, pois a calagem, em geral, supre suas necessidades.

Ao se fazer a calagem, o Ca se retém mais fortemente nas partículas de argila do que o Mg e com isso, com o passar do tempo, o solo acaba tendo um certo teor de Ca e quase nada de Mg. Há ainda o fato que o Ca é reciclado no solo mais facilmente e em maior porcentagem do que o Mg, que por sua vez, é muito consumido com a produção da clorofila e retirado em maior quantidade com as colheitas. Outro ponto é que muitos adubos levam na sua composição química o Ca (cálcio), como é o caso do nitrato de cálcio (19%), superfosfato triplo (13%), superfosfato simples (19%), dentre outros. Estes fatores, por si só, já são suficientes para se recomendar o uso do calcário dolomítico, com altos teores de Mg.

Se não bastassem esses fatos, para se recomendar que a calagem seja feita com pó calcário dolomítico, rico de MgO, tem-se ainda que a bananeira precisa receber uma forte adubação de K para assegurar uma boa colheita e também a necessidade de se manter o equilíbrio entre o K e o Mg. Se isto não for espeitado, pode-se provocar o distúrbio fisiológico conhecido como “azul-da-bananeira”, citato anteriormente, que é capaz de anular totalmente a produção.

A calagem deve ser feita segundo suas necessidades, calculadas com base nos resultados da análise de solo. Quando se faz a calagem, é preciso ter-se muito cuidado com os teores dos nutrientes K, Zn, B e Mn, pois ela afeta diretamente a eles. Em casos especiais, onde os solos são naturalmente ricos em Mg e, havendo necessidade de se fazer a correção de sua acidez, pode-se aplicar o gesso que contém de 30 % de Ca, como corretivo e nutriente.

Em caso de dúvidas, sempre consulte um Engenheiro Agrônomo qualificado para que as recomendações sejam as melhores.


Elton Eduardo Novais Alves, Engenheiro Agrônomo, Mestrando em Solos e Nutrição de Plantas – UFV-MG


Referências

MOREIRA, R. S. Banana: teoria e prática de cultivo. 2. ed. São Paulo: Fundação Cargill, 1999. 1CDROM.

RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P. T. G.; ALVAREZ V., V. H. (Ed.). Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais: 5.a. aproximação. Viçosa, MG: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. 359 p.

 


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