Artigos 24 setembro 2011

Segredos Da Longevidade Do Bananal


Como garantir a longevidade e sustentabilidade do bananal. Matéria publicada no caderno agropecuário do jornal Estado de Minas, de 20 de junho de 2011.
Uma cova de bananeira se renova a cada colheita, pois, ao colher a planta-mãe, uma nova assume o lugar da que foi colhida, tornando-se a planta mãe daquela cova e assim sucessivamente ao longo dos anos. É o conceito mãe-filha-neta, tão preconizado pelos técnicos que trabalham com a cultura da banana. Há bananais produtivos com mais de 40 anos. Mas para que o bananal não perca o vigor e se mantenha economicamente viável ao longo do tempo é necessário tomar alguns cuidados que vão da quantidade correta de água, passam pela condução e nutrição das plantas e pelo controle de pragas e doenças como o mal de sigatoka, broca da bananeira, nematoides e Mal-do-Panamá (este para cultivares prata e maçã). O suprimento adequado de água é sem dúvida, o item mais importante para a cultura da banana. Mais de 95% da bananeira é constituída de água e a seca prejudica o desenvolvimento normal da planta, resultando em plantas menores, folhas pequenas, cachos com poucas pencas, bananas finas e curtas e o intervalo entre colheita na mesma cova, aumenta. A falta de água afeta todos os demais itens. Depois de garantir a disponibilidade de água, o fator mais importante para a sustentabilidade do bananal é a escolha correta do broto sucessor. O bananal deve ser conduzido com apenas um broto sucessor para cada cova, assim, cada cova terá apenas três plantas: a mais velha da cova, chamada de planta mãe, da qual, se elege o broto mais vigoroso para sucessor e eliminam-se os demais; esta sucessora recebe a denominação de planta filha. A partir dela repete-se o procedimento anterior, ou seja, elege-se o broto mais vigoroso para sucessor e eliminam-se os demais. Assim o produtor chega à planta neta e a cova da bananeira deve ser conduzida com as três. Tendo disponibilidade adequada de água e fazendo-se a escolha correta do broto sucessor, o próximo passo é cuidar da nutrição da planta. Um engenheiro agrônomo pode orientar o produtor quanto à necessidade de calagem para correção do solo, suprimento de matéria orgânica e adubação equilibrada, considerando macro e micro nutrientes. Mas não bastam cuidados com a água, escolha de brotos e nutrição. O produtor tem que estar atento às doenças. O Mal-de-Sigatoka, por exemplo, ataca as folhas da bananeira levando ao enfraquecimento da planta e a produção de cachos pequenos. No inverno, a propagação da sigatoka diminui devido às baixas temperaturas e ausência de chuvas, entretanto, no início do verão a doença começa a se multiplicar atingindo o maiores danos em maio/junho, quando a planta fica praticamente sem folhas. O controle da sigatoka é feito com óleo mineral e fungicidas específicos. Já a broca do rizoma é um pequeno besouro de coloração preta, a fêmea deposita seus ovos na região do rizoma da planta. Com a eclosão dos ovos as larvas se alimentam da estrutura interna do rizoma deixando um rastro por onde passa. O ataque intenso desta praga leva a planta ao enfraquecimento. O controle pode ser feito colocando-se armadilhas no bananal para captura dos adultos da broca. Outros vilões dos bananais são os nematoides, vermes que habitam o solo. Algumas espécies se alimentam nas raízes da bananeira podendo levar a planta à morte. Trata-se de um inimigo oculto por não ser visto a olho nu e atacar a parte da planta que fica encoberta pelo solo, a raíz. Por isto é de difícil identificação. O controle também é bastante complicado e até pouco tempo atrás dependia exclusivamente do uso de nematicidas químicos, altamente tóxicos. Atualmente já existe alternativa biológica para o controle eficaz da praga. Por fim está doença que ataca as cultivares dos grupos prata e maçã. As cultivares do grupo Cavendish, como caturra, nanica, grande naine, são resistentes a este mal. Em solos muito propensos ao desenvolvimento da doença o seu controle é praticamente impossível, já em outras situações a aplicação do fungo tricoderma, em conjunto com outras técnicas de manejo mantêm a viabilidade da lavoura. A observância e controle destes itens de manejo da cultura da banana possibilitam manter a longevidade e sustentabilidade do bananal. Outras pragas afetam a lavoura, porem, causam danos pontuais que, uma vez controlados, não afetam a longevidade das lavouras de banana



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