Notícias 23 novembro 2013

TECHNOLOGICAL IMPROVEMENT OF BANANA PRODUCTION SYSTEMS IN LOW IMPACT MELHORIAS TECNOLÓGICAS DE BANA


Veja palestra proferida pelo engenheiro agrônomo Antonio Lopes de Souza no Congresso Internacional de banana – ACORBAT 2013
 
RESUMO
O cultivo de banana é uma atividade muito rentável e constitui a principal fonte de renda para famílias. Para que a lavoura de banana seja produtiva, rentável e tenha longevidade o produtor deve ficar atento aos pontos críticos de cultivo que são o suprimento de água, escolha correta do broto sucessor, nutrição, sigatoka, Mal-do-Panamá (grupo prata e maçã), broca do rizoma e nematoides. O presente artigo visa discutir cada um destes pontos, apresentando técnicas de baixo custo e baixo impacto ambiental, que, se aplicadas corretamente, vão garantir a rentabilidade e sustentabilidade da lavoura.
 
SUMARIO
El plantío del banano es una actividad muy rentable y constituí la principal fuente de renda para muchas familias. Para que el labrantío de banano sea productivo, rentable y tenga longevidad el productor debe estar atento a los puntos críticos del plantío que son el abastecimiento del agua, escoja correcta del brote sucesor, nutrición, sigatoka, mal-del-panamá (grupo plata y manzana), picudo negro y nematodos. El siguiente artigo tiene como objetivo discutir cada uno de estos puntos, presentando técnicas de bajo costeó y bajo impacto ambiental, que si aplicadas correctamente, van a garantir la rentabilidad y la sustentabilidad del labrantío.
SUMMARY
The cultivation of banana is a very profitable activity and is the main source of income for many families. For the banana crop be productive, profitable and have longevity, the  producer should be aware of the critical points of cultivation that are water supply, correct choice of successor bud, nutrition, sigatoka, Panama Disease (group silver and musa acuminata ), weevil borer and nematodes. This paper discusses each of these points, with low-cost techniques and low environmental impact, which, if applied correctly, will ensure the profitability and sustainability of farming.
KEY-WORDS
Cultivo de banana, manejo da cultura de banana, sustentabilidade do bananal, alternativas de cultivo de banana.
 
INTRODUÇÃO
A banana é a fruta mais comercializada no mundo (4). Seu cultivo é uma atividade muito rentável e é desenvolvido por grandes, médios e pequenos produtores. Para muitas famílias de pequenos produtores, o cultivo de banana é a principal fonte de renda. Esta apresentação é direciona a sistemas de produção de baixo custo, embora os temas abordados sejam importantes para quaisquer sistemas de produção de banana. São abordados os pontos críticos para o sucesso do empreendimento, como suprimento de água, escolha correta do broto sucessor, nutrição, sigatoka, Mal-do-Panamá (grupo prata e maçã), broca do rizoma e nematoides. A experiência de cultivo de banana do município de Nova União – MG foi utilizada como referência, por se caracterizar por pequenas propriedades, cultivo de sequeiro, plantios em morros, baixo uso de tecnologia e mais de 100 anos de tradição.
 
CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE NOVA UNIÃO – MG
Localiza-se a 60 km de Belo Horizonte – MG, à 19º41’24” de latitude sul e 43º34’47” longitude oeste. Altitude máxima 1697 metros e mínima 855 metros, temperatura média 20,1 º C, temperatura média máxima 26,5 º C, temperatura média mínima 15,9 º C e precipitação média anual 1372 mm distribuída entre outubro a março.
O município é um tradicional produtor de banana nanica (Cavendish). A área cultivada é de cerca de 2000 há. Caracteriza-se por pequenas propriedades, baixo nível tecnológico, cultivo de sequeiro e plantio em terras altas e montanhosas. Os produtores estão organizados numa associação para climatização da fruta. A comercialização é feita de forma individual no CEASA – MG.
 
NECESSIDADE DE ÁGUA
Cerca de 90% da bananeira é constituída por água (1). A cultura necessita de 100 a 150 mm de água por mês, sendo a produtividade máxima do bananal é delimitada pela disponibilidade de água. Em cultivos de sequeiro, onde há meses com déficit hídrico, o bananal se desenvolve bem durante o período chuvoso e praticamente se paralisa nos meses de déficit. As cultivares Grande Naine e prata comum apresentam melhor tolerância ao estresse hídrico, em comparação à naniquinha (Cavendish) e prata-anã. Em Nova União, a naniquinha foi substituída pela grande naine e tentativas de cultivo de prata-anã não foram adiante. Algumas práticas de cultivo podem contribuir significativamente para minimizar os problemas da escassez de água. Em solos ácidos e com presença de alumínio é fundamental a aplicação de calcário e gesso agrícola, para aprofundamento do sistema radicular. Manter o solo coberto pelos restos do bananal é outra prática importante. Em bananal não se deve ver o solo. Em Nova União, a maioria dos solos apresenta elevada acidez e alto teor de alumínio tóxico, conforme demonstra o quadro 1 abaixo:
 
Quadro 1: pH e saturação de alumínio em solos de Nova União

Identificação da propriedade pH em água Saturação de alumínio (m%)
Fazenda Córrego da prata 4,6 61,9
Fazenda Marta 5,1 18,37
Fazenda Amapá 4,8 56,43

 
Nestas condições, o sistema radicular permanece apenas na camada superior do solo, quando chega o período de seca, o solo resseca rapidamente e a planta se definha. A aplicação de calcário e gesso sobre o solo, no início do período chuvoso elevou o pH e neutralizou o alumínio (quadro 2).
 
Quadro 2: pH e saturação de alumínio em solos de Nova União após a correção

Identificação da propriedade pH em água Saturação de alumínio (m%)
Fazenda Córrego da prata 5,1 10,31
Fazenda Marta 5,1 2,42
Fazenda Amapá 6,5 1,49

 
Lopes, A. S, já em 1980, preconizava o uso de corretivos agrícolas para melhorar a produtividade dos cultivos, evitando a necessidade de abertura de novas áreas para aumento da produção e assim, reduzir impactos ambientais.
 
ESCOLHA DO BROTO SUCESSOR
A operação de desbrota para escolha do broto sucessor e eliminação dos demais brotos é outro ponto crítico no cultivo de banana. O bananal deve ser conduzido com uma única família, ou seja, planta mãe, planta filha e planta neta. Este conceito é bastante difundido entre produtores e técnicos que trabalham com a cultura da banana, entretanto, observa-se a falta de conhecimento para identificar o que é planta filha e planta neta. O erro mais comum é deixar três plantas na cova, uma grande, uma média e outra pequena, porém, pensando que se trata de mãe filha e neta, enquanto as duas últimas são nascidas do rizoma da planta mãe, caracterizando-se por duas irmãs. A escolha do broto correto deve ser baseada no vigor, na direção e no alinhamento do broto dentro da linha de plantio, considerando-se também a população de plantas da lavoura. É uma prática que não envolve a aquisição de insumos, apenas a capacitação dos trabalhadores. Estes devem ser devidamente capacitados, para fazer a escolha consciente do broto sucessor. A desbrota errada (foto 2) coloca a perder todos os investimentos realizados na cultura, inclusive comprometendo sua longevidade.
 
 
NUTRIÇÃO EQUILIBRADA
Tendo feito a correção do solo, pode ser necessário complementar a nutrição das plantas, a depender da disponibilidade de nutrientes, da cultivar e da produtividade desejada.
Adubações com base em análise de solo e da necessidade da planta, usando fertilizantes simples, como ureia, sulfato de amônio, super fosfato simples ou map e cloreto de potássio, em detrimento de fórmulas pré-definidas, a exemplo do 14-07-28, complementando-se com micronutrientes, possibilitaram realizar adubações equilibradas. O uso de cama de frango, abundante na região de Nova União, é pratica comum, embora, os produtores reclamem do alto custo para compra do insumo, bem como, para sua aplicação no bananal. O uso de adubo organomineral, produzido com cama de frango e fertilizantes minerais, permite reduzir a quantidade destes, por otimizar os nutrientes, evitando perdas por lixiviação e fixação. Adubo foliar, fabricado na propriedade agrícola, utilizando-se esterco bovino fresco, em mistura com macro e micronutrientes, após fermentação, vem se tornando outra prática comum na região. Em Jaíba – MG, uma propriedade com 60 ha de banana, desenvolve criação de galinhas dentro do bananal, para aproveitamento dos dejetos como fertilizantes. Trata-se de uma prática muito apropriada para pequenas propriedades, já que a renda é aumentada pela venda de frangos e ovos. Além da perda de nitrogênio do esterco ser quase nula, não há gastos de energia para carregamento, transporte e distribuição do esterco no bananal. Em lavouras irrigadas, algumas propriedades implantaram o uso de biodigestores, aproveitando o esterco bovino para produção de biofertilizante, que é injetado diariamente no sistema de irrigação, alem de aproveitar o biogás na cozinha. Em pequenas propriedades o bifertilizantes pode ser feito com uso de bombonas de plástico e aplicado por bomba costal. Os biofertilizantes oriundos da biodigestão são ricos em hormônios e aminoácidos, contribuindo para melhoria da vida microbiológica do solo. As cultivares, FHIA 18, Pacovan Ken e pacovan Apodi são menos exigentes em fertilização.
 
CONTROLE DE SIGATOKA
A maioria dos produtores de Nova União não fazia controle da sigatoka amarela. No final do inverno as plantas apresentavam pouca ou nenhuma folha viável, resultando em baixa produtividade. Muitos acreditavam que a perda de folha era normal, já que a planta se recupera no período chuvoso. A introdução de monitoramento e controle da sigatoka mudou este conceito, embora, alguns produtores permaneçam sem fazer o devido controle. Utilizam-se atomizadores tratorizados, costais e aplicação de fungicida na axila da planta. Foram abertas estradas dentro do bananal para permitir a passagem do trator e equipamento de pulverização. Outra experiência interessante vem ocorrendo em Jaíba desde 2007, numa lavoura que nunca recebeu fungicida para sigatoka, o controle da doença é feito apenas com óleo mineral. Vale lembrar que Jaíba apresenta clima semiárido. As cultivares pacovan Ken e FHIA 18 são tolerantes à sigatoka amarela, sendo ótima opção nos mercados onde elas são aceitas pelo consumidor. A aplicação de fungicida na axila da planta controla eficazmente a sigatoka amarela, constitui ótima opção aos pequenos produtores e a cultivos agroflorestais, além de causar menor impacto ambiental.
 
MAL DO PANAMÁ (FUSARIUM OXYSPORUN)
O Mal-do-Panamá é uma doença crítica para a cultivar maçã e as do grupo prata, em várias regiões do Brasil. Em Jaíba – MG, inúmeras lavouras foram dizimadas pela doença, deixando muitos produtores em situação financeira difícil. O fungo está presente na maioria dos solos e se manifesta quando é feito o plantio de banana das referidas cultivares. Usar mudas sadias, livres da doença é fundamental. A correção do solo e uma adubação equilibrada, que mantenha em níveis adequados a Condutividade elétrica do solo são práticas importantes. Todas as práticas devem conduzir para a melhoria da vida no solo, beneficiando a macro, meso e micro fauna. Neste sentido, o uso de biol (biofertilizante oriundo de biodigestão), melhora a vida do solo e se constitui em ótima ferramenta para minimizar a doença. A aplicação permanente de trichoderma, de boa qualidade e na concentração adequada contribui para reduzir o numero de plantas afetadas pelo Mal-do-Panamá. Existem casos onde o Mal-do-Panamá foi completamente eliminado a partir da introdução do trichoderma.
 
 
NEMATÓIDES
Diversas espécies de nematoides atacam a cultura da banana, podendo causar severos danos (3). Atacam as raízes, parte da planta que fica oculta aos olhos, dificultando o diagnóstico. As análises laboratoriais de nematoides, embora sejam imprescindíveis, podem subestimar os danos da praga, pois, os resultados são expressos em espécimes por grama de raízes, em muitos casos, os nematoides estão colonizando as radicelas, sem ainda terem atingido a raiz principal, como o peso daquelas é muito inferior ao destas, o resultado pode ser mascarado. Vale lembrar que o papel de absorção é das radicelas.  Outro fato importante e que ocorre com frequência é que pode ocorrer uma lesão causada por nematoide em um ponto da raiz, próximo ao rizoma, obstruindo os vasos condutores de seiva, a raiz continua vegetando, porém sem cumprir seu papel. Se a amostra retirada não pegou esta parte lesionada da raiz o resultado da análise será subestimado. Portanto, para o correto diagnóstico de nematoides na cultura da banana é imprescindível a análise visual das raízes in loco.    O uso de mudas sadias é importante, mas não é suficiente para evitar nematoides, pois, a praga está disseminada na maioria dos solos, inclusive em solos de mata. Modernamente, o uso de nematicidas biológicos veio a substituir eficazmente o uso de agrotóxicos no controle dos nematoides, apresentando inúmeras vantagens. O uso de nematicidas químicos apresenta grandes inconvenientes, como elevada toxidez, período de carência longo, exige equipamento próprio para aplicação, risco de contaminação do trabalhador, do meio-ambiente e da fruta. A aplicação de nematicida químico no tronco da bananeira ou no broto eliminado apresenta efeito residual curto, não atua sobre nematoides que se encontram nas raízes de tocos e de brotos remanescentes. Tão logo o efeito do nematicida termine, os nematoides voltam a infectar as raízes da planta. O nematicida biológico pode ser aplicado via água da irrigação ou com bomba costal em áreas de sequeiro, atingindo 100% do solo, o que possibilita a atuação do mesmo nas raízes de brotos remanescentes. Apresenta risco nulo ou baixo de contaminação do trabalhador, do meio ambiente e da fruta.
 
CONCLUSÃO
O uso adequado das técnicas de cultivo de banana reduz significativamente o impacto ambiental, pelo menor uso de defensivos e fertilizantes químicos e pelo aumento e manutenção da produtividade, diminuindo assim, a necessidade de abertura de novas áreas para plantio.
 
 



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2 respostas para “TECHNOLOGICAL IMPROVEMENT OF BANANA PRODUCTION SYSTEMS IN LOW IMPACT MELHORIAS TECNOLÓGICAS DE BANA”

  1. kinalazenby68 disse:

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